domingo, 30 de março de 2014

(sem título)


seiscentos veículos de rodas vibrantes alinhados ao sol posto
quatrocentas engrenagens nas prateleiras do armazém
vinte e uma rodas nas paredes silenciosas
quatro postais rasgados no chão da casa

herbívoros silenciosos pendurados no tecto
a telepatia das coisas afecta-os nas patas
o sangue é violeta na incerteza dos dias

o pasto é metalizado e insensível
seca na boca e rasga os estômagos
implode nos olhos a crueza dos dias
dilui os cascos que pingam o chão
acidifica a medula presa no corpo

o pasto é imediato e venenoso
pulsa nele o pesadelo dos ruminantes


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