domingo, 30 de novembro de 2014

crostas e visões


crostas e visões de cio selvagem
cartas distantes pousadas na água
barris de sangue com almofadas rosa
e túneis de rubis lapidados

sonhos de cetim e pele rasgada
olhos cinzentos esperam a chegada
casas largas em ruas estreitas
e seis estrelas no topo dos telhados

cospem-se ideias em vasos de barro
em sacos de ardósia vêm-se os santos
sopa de penas servida às mesas
e vómito laranja nas esquinas asseadas

a roupa que temos dos outros
a caspa que temos dos pássaros
silêncio em zero graus
ânsia às três horas


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