domingo, 28 de fevereiro de 2016

(sem título)


vejo pés pálidos no chão
são esguios como o meu corpo de caule abandonado
tocam o chão que é frio e seco

os olhos vomitam podridão
a cabeça explode o mundo
a cara bonita transforma-se no monstro pesado
incha com o pó

a menina bonita deixa-se apodrecer no pó do mundo
o pescoço não tem força
a cabeça pende no monte de lençóis brancos
o candeeiro pende também na forca do tecto

os olhos desaparecem no pó
o corpo abandona-se no monte de roupa suja no corredor
as unhas crescem no chão

a menina evapora-se


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